Saturday, 11 August 2012

Would be seemly rationale to at least notice your life when it is missing

Wednesday, 25 July 2012



I'd rather life in an imoral world, fucked up 'till its top, but being in here, but being this. Fuck it. Fuck it all, fuck them all. Fuck normality. Where's the sweat? The blood? Fuck my imaginary life, with my imaginary perfect husband and my bastard children and high society meets. Fuck this crowd intoning my bogus name. I want pain and booze and drugs and thrill and bare feets and undressed souls and wearing out skeletons and whimpers and loud, loud music, so fucking loud that hurt my ears and knife my bosom, and long hair and tight clothes and vomit and honesty. I want to be alive.

Even if just for once.

Saturday, 21 January 2012


O céu, aquela tarde, estava cinza. Um cinza daqueles que parecia um borrão triste duma criança que errou ao desenhar os olhos da personagem e, ao passar a borracha por sobre estes, um borrão espalhou-se pela folha; e ela desistiu de desenhar e foi correr atrás de borboletas. Mas o céu não desistia. Ele persistia, sendo o eterno borrão dos olhos dela. (...) Alguns relâmpagos faziam-lhe fugir os olhos da estrada e encará-la com suas nuvens, seus borrões, seus relâmpagos, suas gotas de chuva, sua frieza. E ela encarava-te de volta.
Perguntava-se, às vezes, se algum dia aquele olhar não fora doce e castanho, como chocolate, como pequenos cachorrinhos em exposição numa loja cara num lugar caro numa cidade cara, cheio de pessoas baratas e vazias, mas que cobravam caro para sê-lo. Às vezes, queria acreditar que ela já fora incolor ou monocromática. Que ela fora um borrão, como os olhos do desenho da criança. Talvez, ela o tivesse sido aquela criança em algum tempo. Cabelos castanhos, olhos castanhos, pele clara, lábios pequenos e descoloridos, as unhas quadradinhas e pequenas. Uma daquelas crianças comuns, que não se destacam por não terem ao que destacarem-se. Não o turbilhão em que ela tornara-se. Não uma confusão de cores e sabores e falta de tudo – falta de ética, falta de pudor, falta de vergonha, falta de verdades, falta de vaidades, falta de sentimentos. Completa de paradoxos. Não com seus cabelos vermelhos, seus olhos cinzas, seus dedos pequenos e suas unhas escuras, sua boca avermelhada e um olhar cansado. Não queria tê-la a esta imagem da fadiga e desistência por toda sua curta existência. Queria tê-la completa, não em pedaços, não desfeita, não arrasada.
Ainda podia ouvi-la rezar em seu choro falso.

Saturday, 3 December 2011

Ela sorrirá. Ela irá te confundir, fará sua cabeça girar. Será irônica, mal-educada e desmanchará marcas de batom pela tua pele alva. Desviará os olhos dos seus, te encarará em silêncio, ignorar-te-á. Ela rirá alto, sorrirá de canto, arqueará uma sobrancelha. Instigar-te-á a desvendá-la e nunca o permitirá fazê-lo. As mãos delas encaixar-se-ão perfeitamente nas tuas, mas ela nunca deixará com que tu saibas. Ela não se apaixonará, não se encantará pelo teu sorriso, mas tu o farás. Você reparará no modo como seus cílios escuros projetam uma leve sombra sobre sua bochecha corada, como seus lábios movem-se ao falar, como a cor dos olhos parece contrastar com a pele clara, como sua risada faz surgir borboletas esvoaçantes em teu estômago, como seus olhos brilham e faíscam e sorriem enquanto ela observa os carros passarem rápidos abaixo de si, na tua varanda, com teu moletom, usando o teu sorriso. Ela terá um coração partido, remendado, um âmago vencido, uma maquiagem borrada, uma alma que só quer viver de presentes, e você a amará. Amarás a todas as remendas, as dores, os amores validados, as noites perdidas, os relógios sem horas, o cheiro inerte no pescoço, as marcas de batom, os sons, a respiração, o palpitar desenfreado pelo peito, a complexidade. A amará por querer consertá-la, por querer tornar as remendas em seu peito suficientemente perfeitas para que ela possa respirar. Consertará seus olhos tristes, suas faces, suas manias, suas mentiras. Caçar-lhe-á o olhar em meio à multidão e encontrará tanto de si, tanta complexidade, tanta semelhança, tanta dor, tantas sombras, tantas marcas, tantos remendos, e a amará, simplesmente. Talvez num dia de chuva, quisesse simplesmente entrar na vida dela, fazer amor com ela até que todas as nuvens sumissem do céu da Inglaterra, e foda-se. Talvez só quisesse fazê-la sorrir de verdade, numa manhã de domingo, com a tv desligada, onde nada pareceria pertencer àquele momento, onde toda a quietude seria quebrada por um mundo distante, desconectado, um bebê a chorar no andar de baixo, um carro freando bruscamente, um cachorro latindo. Talvez só quisesse perder-se em meio aos lençóis claros, rasgados, esquecidos. Talvez só quisesse perdê-la e tê-la no chão da sala, no quarto, na cozinha, na rua, no quintal. No coração. Talvez só a amará por tudo que ela não é e por tudo que sempre fingiu ser.

Thursday, 28 July 2011

Uma vez eu li, quem sabe num poema, numa letra de música, numa placa, numa pixação: nada é feito para durar. Aquilo marcou-me, de certa forma. Sorri, na hora, mas depois, atormentei-me. Queres verdade mais evidente? As coisas necessitam de um início, meio e fim. É o ciclo natural das coisas. Ridículo, mas natural. O tão louvado "para sempre" é a maior hipocrisia metafórica existente. E a mais famosa também. A perfeita e inalcançável ilusão. Soa engraçado, mas quando tu olhas para trás, sente o peito arder. Acreditaste, não? Acreditaste, acreditas, acreditarás. Porque todos precisam de uma metáfora ardente para sorrir. Por mais que acabe-se, por mais que nunca perdure, por mais que seja feita para acabar.
E tudo acaba como um dia começou.

Saturday, 26 March 2011


O rímel sangra uma lágrima negra. Os olhos choram uma lágrima sangrada a rímel, marcada a ferro e fogo pela dor. Enquanto o peito explode o olhar deixa-se demonstrar toda a fraqueza tão bem incutida e disfarçada, tendo os telespectadores cansados do show e se refugiando-se em casa, onde domingos tediosos despertam-lhe maior interesse do que alguém que permitiu a máscara vir ao solo. O sol tenta fazer-lhe cerrar a tristeza, escondendo do mundo aquele tom indefinido, que beira um cinza, um castanho, um verde, que domina seus globos oculares afogados em lágrimas quentes. O mundo tenta fazer-lhe esconder-se, os olhos fechados, o coração sangrando, a alma aberta, a dor vazando, gotejando, pingando, obcena. O frio corta-lhe a pele como pequenas facas afiadas a cortarem a carne do pescoço do inimigo, vendo-o sangrar; o frio e a dor e a perda e o cansaço e a desesperança e o vazio a dilaceram enquanto ela destrói o mundo com milhares de céus enegrecidos. O tom alvo da pele contrasta como sangue e neve às suas manchas negras escorridas pela bochecha. O vazio a preenche enquanto ela desiste, e fecha os olhos, e seca as lágrimas, e vai embora.

Thursday, 3 February 2011


Haviam os pulsos finos, os cabelos ralos, os olhos tristes, os lábios secos. Havia a ausência, a cor, o cheiro, a dor. Havia a indiferença, a insustância, a tristeza, o auto-flagelo. Havia a decepção, a perseguição, a contagem, os riscos. Haviam os cortes, as mortes, a saudade, a necessidade. Havia o banal, o dispensável, o sangue, o perfume. Havia um desenho, um vermelho, um azul, um laranja. Havia uma vida a salvo.

Em seu pulso fino havia uma borboleta.

Wednesday, 12 January 2011

Saudade é mais do que ter as bochechas úmidas com a água que vaza dos olhos, mais do que sentir o coração sendo esmagado por uma mão invisível, mais do que perder o fôlego diante das lágrimas que te levam ao solo e não te deixam submergir, mais do que rir sozinho com os olhos fechados em frente a uma tela de computador vendo uma cena que não se passa a muito, mais do que sentir frio longe de braços com seus abraços, mais do que não sentir o próprio coração pulsar por sentir falta de outro batimento. Saudade é perder um pedaço de si e rezar, todas as noites, para um dia recuperá-lo

Monday, 29 November 2010

A sola dos pés tocou delicadamente o chão de madeira escura e impulsionou-se para cima, andando em direção ao espelho sujo no meio do quarto escuro. Havia poeira na superfície liso do vidro - só mais uma mostra de que o tempo havia passado. Tirou o pó com a palma da mão e encarou-se, deixando-se afogar no azul dos olhos.
Não tinha percebido como seu cabelo estava opaco, sua pele translucida, seus olhos mortos. Ela estava vazia, oca. Quase podia ouvir o eco quando seu coração batia. Não lembrava-se de quando tinha-se deixado morrer. Em que espelho deixara perdida sua alma.

Sunday, 7 November 2010

Você cansa. Cansa das sensações, das lágrimas, das tentativas, do rabo entre as pernas, das mentiras, das saudades, do orgulho, do olhar de esguelha disfarçado, das patadas. Cansa de tentar aceitar tudo, de soluços secos, da indiferença. Cansa de estar cansado. Todo dia. Há tanto tempo. Cansa de desistir. Desistir e desistir repetidas vezes e voltar atrás todo maldito dia. Cansa de engolir as lágrimas, de acenar em concordância, da espera, da esperança, do relógio insistente, dos traços em conversas vazias, do silêncio, da falsa felicidade. Da falsa desistência.

E isso nunca pára. O relógio tique-taqueia e o tempo passa. E o “eu desisto. Adeus” fica pra amanhã.

Wednesday, 27 October 2010

E aquela necessidade deixou de existir em si para existir nele como tatuagem, ou unha, ou um fio de cabelo, ou mesmo uma gota de suor que brota na testa. Era como uma droga, o ar para respirar.
Era simples, era palpável, era compreensível.
Era necessário
Champagne and Cigarettes

Friday, 15 October 2010

E de repente, não importava.
Porque a noite já havia caído. Porque ela acreditava. Porque ele sabia disso. A lua inoportuna despontou no céu e iluminou seus olhos, fazendo-os faiscarem, como sempre foi; como deveria ser. E não importava o que deveria ter sido, porque hoje já não passava de nada mais do que a suposição do que teria sido uma certeza.

Friday, 24 September 2010

E realmente eu vejo que é tarde demais, quando eu olho nos seus olhos; quando eu vejo o tempo que se passou e as chamas que se apagaram e se acenderam em suas orbes. E deveria mesmo ser tarde demais não é? O tempo deveria ter apagado tudo e curado todas as feridas, mas foi só olhar para você - olhar para você de verdade: ver a sua alma, os seus pensamentos, as suas lágrimas soltas e as reprimidas, os seus sorrisos reais, o seu eu de verdade - que eu senti tudo no meu peito arder, chamuscar, queimar; foi como se eu tivesse jogado alcool em feridas recém feitas por uma gilete. E aquela dor bastava para que eu visse que ainda não era tarde demais; que só seria tarde demais quando eu não lembrasse mais os traços das suas feições, não soubesse mais onde você mora ou como gosta de deixar o quarto arrumado, se esta ou não casado, quantos filhos já tem; se você ainda estava vivo.
Porque enquanto eu souber que você chora ouvindo músicas, enquanto você se pegar olhando para fora da janela quando chove esperando ver um pontinho minúsculo de cabelos manchados e olhos marejados, enquanto você sentir frio com abraços antigos e estranhos, enquanto você sentir alguma coisa dentro do seu peito ardendo, chamuscando, queimando eu poderei saber que nada foi em vão. E que não é tarde demais

Sunday, 19 September 2010

Champagne and Cigarettes

Quereria ter morrido de um jeito heróico: quem sabe erradicando um mau aterrador ou lutando por um bem maior. Quereria ter morrido sendo reconhecida como alguém que mudou o mundo, fez a diferença na vida e modificou a alma de diversas pessoas. Quereria que meu leito de morte fosse banhado por lágrimas de verdadeiro desespero. Quereria que o mundo parasse, nem que por um mísero segundo e alguém do outro lado do globo azul pensasse em como eu faria falta. Quereria que meus sonhos de criança tivessem se realizado e eu tivesse revolucionado as mentes limitadas de todos que estavam ao meu redor e ter ido além de fronteiras que separam países e continentes, fazendo todos unirem-se em torno de uma opinião minha. Quereria ter sido alguém mais do que fui, ter feito mais do que fiz, ter vivido mais por algo do que pelo que vivi. Quereria não ter perdido tudo de vista em um horizonte distante demais para ser alcançado e ter deixado a vida tornar-se fútil e imprestável. Um desperdício de espaço. Quereria ter sido alguém significativo e não só algo a mais. E não fui.
Fui só mais uma folha que caiu; uma folha seca, gasta, que já deu tudo que poderia dar e fez tanto quanto lhe fora incubido. Só mais uma folha que um dia será tragada pela superfície e transformar-se-á em mais uma parte do solo em que você pisa, da base em que você se sustenta.

P.S.: É tarde demais. Desculpe.

Friday, 13 August 2010

Medo


É o medo que toma conta. É o medo que revira estômagos, bagunça mentes, bambeia pernas, faz suar as palmas da mão. É o medo que prevalece sempre, a qualquer hora, a qualquer circunstância. É ele que me toma, que faz-me querer voltar atras, faz-me querer fugir, faz-me querer admitir tudo quanto possível e irreal para escapar. É o medo, doce, palpável, irreal, presente. É o simples medo, o medo que tu me causas, o medo que eu me causo, o medo que me prende em mim. É o meu medo imaginário que me prendeu aqui distância e o seu medo concreto e real que fez-te correr de mim e deixar-me a criar raízes a sua espera. É o medo que embala as doces canções de ninar e põe-nos na inconsciência doce do sono infantil; é o medo que circula e encontra brechas para penetrar em todos meus pensamentos, falas e movimentos; é o medo que vivencio, que sinto, que admiro.
Sei que estou segura, mas o medo me fascina.