Wednesday, 12 January 2011

Saudade é mais do que ter as bochechas úmidas com a água que vaza dos olhos, mais do que sentir o coração sendo esmagado por uma mão invisível, mais do que perder o fôlego diante das lágrimas que te levam ao solo e não te deixam submergir, mais do que rir sozinho com os olhos fechados em frente a uma tela de computador vendo uma cena que não se passa a muito, mais do que sentir frio longe de braços com seus abraços, mais do que não sentir o próprio coração pulsar por sentir falta de outro batimento. Saudade é perder um pedaço de si e rezar, todas as noites, para um dia recuperá-lo

Monday, 29 November 2010

A sola dos pés tocou delicadamente o chão de madeira escura e impulsionou-se para cima, andando em direção ao espelho sujo no meio do quarto escuro. Havia poeira na superfície liso do vidro - só mais uma mostra de que o tempo havia passado. Tirou o pó com a palma da mão e encarou-se, deixando-se afogar no azul dos olhos.
Não tinha percebido como seu cabelo estava opaco, sua pele translucida, seus olhos mortos. Ela estava vazia, oca. Quase podia ouvir o eco quando seu coração batia. Não lembrava-se de quando tinha-se deixado morrer. Em que espelho deixara perdida sua alma.

Sunday, 7 November 2010

Você cansa. Cansa das sensações, das lágrimas, das tentativas, do rabo entre as pernas, das mentiras, das saudades, do orgulho, do olhar de esguelha disfarçado, das patadas. Cansa de tentar aceitar tudo, de soluços secos, da indiferença. Cansa de estar cansado. Todo dia. Há tanto tempo. Cansa de desistir. Desistir e desistir repetidas vezes e voltar atrás todo maldito dia. Cansa de engolir as lágrimas, de acenar em concordância, da espera, da esperança, do relógio insistente, dos traços em conversas vazias, do silêncio, da falsa felicidade. Da falsa desistência.

E isso nunca pára. O relógio tique-taqueia e o tempo passa. E o “eu desisto. Adeus” fica pra amanhã.

Wednesday, 27 October 2010

E aquela necessidade deixou de existir em si para existir nele como tatuagem, ou unha, ou um fio de cabelo, ou mesmo uma gota de suor que brota na testa. Era como uma droga, o ar para respirar.
Era simples, era palpável, era compreensível.
Era necessário
Champagne and Cigarettes

Friday, 15 October 2010

E de repente, não importava.
Porque a noite já havia caído. Porque ela acreditava. Porque ele sabia disso. A lua inoportuna despontou no céu e iluminou seus olhos, fazendo-os faiscarem, como sempre foi; como deveria ser. E não importava o que deveria ter sido, porque hoje já não passava de nada mais do que a suposição do que teria sido uma certeza.

Friday, 24 September 2010

E realmente eu vejo que é tarde demais, quando eu olho nos seus olhos; quando eu vejo o tempo que se passou e as chamas que se apagaram e se acenderam em suas orbes. E deveria mesmo ser tarde demais não é? O tempo deveria ter apagado tudo e curado todas as feridas, mas foi só olhar para você - olhar para você de verdade: ver a sua alma, os seus pensamentos, as suas lágrimas soltas e as reprimidas, os seus sorrisos reais, o seu eu de verdade - que eu senti tudo no meu peito arder, chamuscar, queimar; foi como se eu tivesse jogado alcool em feridas recém feitas por uma gilete. E aquela dor bastava para que eu visse que ainda não era tarde demais; que só seria tarde demais quando eu não lembrasse mais os traços das suas feições, não soubesse mais onde você mora ou como gosta de deixar o quarto arrumado, se esta ou não casado, quantos filhos já tem; se você ainda estava vivo.
Porque enquanto eu souber que você chora ouvindo músicas, enquanto você se pegar olhando para fora da janela quando chove esperando ver um pontinho minúsculo de cabelos manchados e olhos marejados, enquanto você sentir frio com abraços antigos e estranhos, enquanto você sentir alguma coisa dentro do seu peito ardendo, chamuscando, queimando eu poderei saber que nada foi em vão. E que não é tarde demais

Sunday, 19 September 2010

Champagne and Cigarettes

Quereria ter morrido de um jeito heróico: quem sabe erradicando um mau aterrador ou lutando por um bem maior. Quereria ter morrido sendo reconhecida como alguém que mudou o mundo, fez a diferença na vida e modificou a alma de diversas pessoas. Quereria que meu leito de morte fosse banhado por lágrimas de verdadeiro desespero. Quereria que o mundo parasse, nem que por um mísero segundo e alguém do outro lado do globo azul pensasse em como eu faria falta. Quereria que meus sonhos de criança tivessem se realizado e eu tivesse revolucionado as mentes limitadas de todos que estavam ao meu redor e ter ido além de fronteiras que separam países e continentes, fazendo todos unirem-se em torno de uma opinião minha. Quereria ter sido alguém mais do que fui, ter feito mais do que fiz, ter vivido mais por algo do que pelo que vivi. Quereria não ter perdido tudo de vista em um horizonte distante demais para ser alcançado e ter deixado a vida tornar-se fútil e imprestável. Um desperdício de espaço. Quereria ter sido alguém significativo e não só algo a mais. E não fui.
Fui só mais uma folha que caiu; uma folha seca, gasta, que já deu tudo que poderia dar e fez tanto quanto lhe fora incubido. Só mais uma folha que um dia será tragada pela superfície e transformar-se-á em mais uma parte do solo em que você pisa, da base em que você se sustenta.

P.S.: É tarde demais. Desculpe.

Friday, 13 August 2010

Medo


É o medo que toma conta. É o medo que revira estômagos, bagunça mentes, bambeia pernas, faz suar as palmas da mão. É o medo que prevalece sempre, a qualquer hora, a qualquer circunstância. É ele que me toma, que faz-me querer voltar atras, faz-me querer fugir, faz-me querer admitir tudo quanto possível e irreal para escapar. É o medo, doce, palpável, irreal, presente. É o simples medo, o medo que tu me causas, o medo que eu me causo, o medo que me prende em mim. É o meu medo imaginário que me prendeu aqui distância e o seu medo concreto e real que fez-te correr de mim e deixar-me a criar raízes a sua espera. É o medo que embala as doces canções de ninar e põe-nos na inconsciência doce do sono infantil; é o medo que circula e encontra brechas para penetrar em todos meus pensamentos, falas e movimentos; é o medo que vivencio, que sinto, que admiro.
Sei que estou segura, mas o medo me fascina.

Monday, 26 July 2010

parece que já faz tanto tempo desde a nossa primeira risada a noite, desde a primeira idiotice engraçada que dissemos que marcou, desde a primeira tarde com chuva, desde a primeira vez que as lágrimas não me deixaram te enganar, desde o primeiro consolo vindo de você, desde a primeira vez que te vi como um porto seguro, desde o primeiro abraço sincero que recebi vindo dos seus braços, desde o primeiro segredo trocado entre nós, desde que eu senti sua necessidade em mim e o inverso. a alegria desses dias é uma lembrança turva e distante mas que pode me aquecer como se fosse hoje que eu estivesse vivendo com você ao meu lado, cuidando de mim. e há a dor. há a perda. há a saudade. se hão esses dias que me aquecem, hão os que me fazem chorar de agonia e gritar desesperadamente querendo a felicidade reinando novamente. esses dias, não só parecem mas são vividos agora. a sua distância, a sua troca, o seu abraço insincero, o seu vulgarizado amor, a sua saudade fingida, os seus sorrisos sarcásticos, a sua recusa; a sua perda de mim e a minha perda de você.
a saudade agora prevalecerá eternamente, pois não podemos viver o que já há muito está morto.

Wednesday, 21 July 2010

É ele a minha grande razão de viver. Se tudo perecesse, mas ele ficasse, eu continuaria a viver. E, se tudo permanecesse e ele fosse aniquilado, o mundo inteiro se tornaria uma coisa totalmente estranha. Eu não seria mais parte desse mundo


O morro dos ventos uivantes ♥

Friday, 9 July 2010

Antes de começar a escrever, eu fiquei pensando em uma maneira de passar para o papel tudo o que eu sinto, mas percebi que vai ser mais difícil do que eu pensei que seria, porque sentimentos vão muito além de palavras escritas em um pedaço de papel, embora mesmo assim eu vá tentar escrevê-las como se estivesse sentido-as. Algumas palavras são tão importantes quando ditas por uma pessoa, e tão desinteressantes quando ditas por outras; Sentimentos são sentidos, são transmitidos, são omitidos, ou não. Eu não estou falando apenas do Amor, mas do ódio, não apenas da intolerância, mas da compreensão, não apenas da tristeza, mas da felicidade... nem apenas do choro ou do riso, da importância e da insignificância, do que é suficiente e o que não é; De como uma coisa faz toda a diferença para alguém, e é indiferente para outras ao mesmo tempo, ou talvez do quanto alguém se importe, e o quanto alguém use do descaso, ou mesmo de quando você de decepciona, ou se surpreende com uma coisa boa. Simplesmente do quanto uma coisa pequena, pode valer muito mais do que uma coisa muito grande. Do quanto um abraço pode valer mais do que uma palavra, do quanto um olhar pode falar mais do que milhões delas;do quanto um momento de raiva lhe tornatão hostil, e um momento de tristeza lhe torna tão vulnerável. do quão melhor você se sente quando está sozinho, ou não; do quão mal você fica quando uma coisa ruim acontece, e do quão feliz você fica quando uma coisa boa acontece. Do quanto um gesto, uma palavra, uma atitude, um olhar ou um gesto semelhante pode tornar seu dia o melhor, e também torná-lo o pior, depende da maneira como são colocados, quando são colocados ou até mesmo por quem são colocados. Percebemos o quanto confiamos em pessoas que nos deixariam para trás, e do quanto desconfiamos de pessoas que correriam do nosso lado até o fim; ou também o quanto amamos pessoas que nos tratam com indiferença, e do quanto tratamos com indiferença as pessoas que realmente nos amam. Do quanto somos injustos com algumas pessoas, assim como algumas pessoas são injustas conosco. Sim, isso tudo não passa de um grande dilema, mas eu interpretaria mais como um desabafo.

texto escrito pelo
delicioso e solteiro Fernando Stocco (@feernandos), dono do blog delicia TheTiredThings escrito no dia 09/07/2010, às 01:19am. PAGUEM UM PAU!

Wednesday, 7 July 2010

Certas vezes acabo me deparando com o passado; é inevitável. E sempre que esbarro nele encontro diversas pessoas: as que foram; as que ainda estão aqui; as que me fizeram feliz; as que me fizeram chorar de rir; as que me fizeram rir pra não chorar; as que me fizeram simplesmente chorar; as que estavam indecisas em fazer-me rir ou chorar. e eu encontro uma pessoa em especial, uma que está em minha vida desde 1999; uma que tem um nome igual ao meu, haha; uma que é minha irmã, há três anos; uma que é especial desde sempre; uma que deixou muita saudade; uma que me ensinou que confiança é de cristal; uma que eu busco loucamente recuperar a amizade; uma que por mais que não tenha os mesmos sentimentos que eu, ainda é tão amada quanto sempre, quando sentia o mesmo tipo de amor por mim. sim, ela já recebeu um texto meu, ela já teve que ler tudo uma vez, mas não parecia o suficiente; não quando eu encontrei uma mostra tão grande do passado e tive que comparar com a do futuro. Dói. Perder um irmão dói. e a saudade dói tanto que chega a ser estranho e deslocado tendo toda a presença dela que encontra-se a meu lado. mesmo perto sinto distante demais, sinto saudades demais mesmo ela estando aqui.
é, irmã, eu sinto sua falta. e eu sinto falta da nossa amizade e eu não quero que seja como foi antes, quero que tudo seja melhor. O futuro sempre promete, espero que ele cumpra essa promessa.



Bárbara Ribeiro Maccarini, sim é para sempre

Friday, 25 June 2010

Essa dor é muito real. Ela esta muito presente para ser ignorada, para ser apagada pelo tempo. Ela me persegue com olhos famintos e garras prontas para me trucidarem. O buraco em meu peito cresce a cada respiração. Meus olhos já estão turvos e tudo parece-me borrado para ser reconhecido; me dói acreditar que escaparei com vida. Todos esses anos passaram de maneira insignificante, sem pausa alguma, sem mudança alguma. Sem cor alguma. Todos aqueles dias viraram uma recordação trôpega enquanto essa saudade é uma dor sóbria. Não há escapatória, não há possibilidade. O fim é certo, mas contradiz a vida. O fim está me aguardando numa esquina e cruzarei com ele muito em breve. Não sei dizer se me lamentarei ou irei agradecer. Será apenas o fim. Apenas.



E o céu permanecerá cinza.

Sunday, 20 June 2010

gostava de partir corações, tinha mentir como seu hobby, enganava por distração, prometia por diversão. atraia olhares, gritava sem se importar em seria ouvida, comprava discussões, repugnava ilusões. um riso sarcástico fazia parte de seu conjunto de ser, ignorava conselhos, mantinha crenças a distância. cantava músicas de outro mundo, o olhar frio congelava o sol, lágrimas não faziam parte do pacote. imaginava um mundo diferente, tinha os pensamentos em outra galáxia, esperava a música parar, a indiferença tomava conta de suas feições. as horas passavam sem que ela sequer notasse, sonhava com os olhos abertos, evitava sentimentos, pisava nas máscaras. deixava partir, pensava no estúpido amar, escutava o silêncio, se deliciava com a instabilidade, perdia rostos na multidão, encontrava conforto na solidão. os olhos secos mantinham a distância, fazia apaixonar, esquecia de voltar.

vivia sozinha;

Friday, 11 June 2010

Nem eu mesma tenho idéia do porque estou fazendo isso. Nem tenho sequer a mais remota ideia de para quem serão dirigidas minhas palavras. Não chego nem a sonhar em dar algum significado a essas palavras largadas em uma folha. Elas são simplesmente isso; palavras perdidas. Palavras que nada significam, nada dizem, nada são. É ridículo perder meu tempo com elas, mas parece-me ser inevitável. Elas vem com tamanha força que chega a ser vertiginoso. Escrevo-as sem vê-las ou lê-las ao final, pois conheço o resultado: Sem sentido.
Palavras não se encaixam a explosões, a vidas, a momentos desesperadores, a lágrimas, a risos, a tristeza, a dias felizes.
Mesmo, quem foi o idiota que as inventou sendo que elas para nada servem se nada realmente descrevem?